CacauChocolateHistória do CacauHistória do ChocolateAstecas

Foram os astecas que fizeram do cacau um fetiche sagrado e incorporaram o elixir dos deuses em sua cerimônias. E, ainda mais do que para os mais, ele era a sua moeda no reino.

Assim como para os maias, o chocolate também tinha um aspecto religioso para os astecas teria sido o deus Quatzalcoatl – a serpente emplumada dos toltecas – quem descera um dia à terra para ensinar aos homens a ciência e a arte, trazendo, do jardim do Paraíso, o cacau. O deus Tlaloc, da chuva, mantinha o cacaueiro molhado, e Xochiquetzal, a deusa do amor, enfeitava a árvore com flores brancas perfumadas, dando-lhe também seu espírito,

Além do chocolate líquido, a base de cacau, os astecas tinham outra razão para se interessar tanto por ele. Por não ser fermentado e, portanto, não ser alcoólica, era vista como a bebida correta para o consumo em sociedade, já que a embriaguez era condenada e extremamente malvista. O chocolate era indicado especialmente para os guerreiros, por dar forças, e estava associado ao deus da guerra Huitzilopochtli, por não permitir que os homens fraquejassem.

Segundo os escritores Sophie e Michael D. Coe (The true History of Chocolate) o depósito de Montezuma continha mais de 960 mil sementes, medidas em “carga” de 24 mil, o peso padrão de um saco que os carregadores astecas traziam nas costas das plantações de Chiapas. Algumas sementes eram moídas para fazer chocolate. Mas o resto compunha um tesouro e a folha de pagamento dos militares Segundo Bernal Díaz, dois mil recipientes de chocolates espumantes eram preparados regulamente só para os guardas de Montezuma.

O método de preparo da bebida de chocolate pelos astecas era muito similar aos dos maias; a única diferença é que, aparentemente, era bebido frio.

No início do século XVI, à mesa de Montzuma II, o último imperador dos astecas, a refeição terminava suntuosamente com uma cabeça de chocolatl, uma bebida à base de sementes de cacau, aromatizada com baunilha, flores, sementes de urucum, pimenta, às vezes mel ou, ainda, cogumelos alucinógenos, à moda de uma verdadeira porção. Apreciado, sobretudo pela espuma, que se obtinha ao despejar o líquido do alto, o chocolatl era degustado sempre seguido de um charuto cuidadosamente enrolado, em ritual cercado de requintes. Foi assim que Cortés, antigo companheiro de Cristóvão Colombo, teve sua primeira experiência com as “bolhas cremosas dos chocolates”, ao conquistar o México, em 1519.

Os conquistadores e missionários espanhóis, novos senhores do México, na falta do vinho, cuja exportação havia sido proibida por édito imperial, aderiram rapidamente ao consumo do chocolate. A introdução de cana-de-açúcar possibilitou ainda a mudança das receitas à base de cacau, temperando o forte sabor do chocolate com açúcar, baunilha e canela. Com esse toque açucarado, a bebida teve aceitação geral.

Frei Bernardinho de Sehagún, um franciscano mendicante, pode muito bem ter sido o primeiro etnógrafo de campo do mundo. A sua enciclopédia em 12 volumes, General History of the Things of new Spain, suntuosamente ilustrada, expôs com precisão todos os aspectos da vida asteca. Acima de tudo, Sahugún nos deu o ambiente aonde eles viviam.

Fora os medonhos aspectos de suas praticas religiosas (sacrifícios humanos). Os astecas tinham construído uma civilização complexa, que rivalizava com qualquer coisa que o mundo já tivesse visto. A sua surpreendente capital, Tenoxtitlã, com sua cidade gêmea, Tlatelolco, no lugar onde é hoje a cidade do México, tinha mais de 200 mil habitantes, o que fazia uma das maiores metrópoles da época.

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